É fato: produzir praticamente qualquer obra acerca do Holocausto é fadado a um dos dois pontos de uma dicotomia que não permite um continuum. Ou é muito ruim, ou é muito bom. E de um modo ou de outro, é um grande magneto de lágrimas. "O Menino do Pijama Listrado", de John Boyne, sagra-se como uma excelente obra, e que vai fazer cair água dos olhos de todos. A não ser que você atenda pelo nome de Coração Gelado.
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| As lágrimas de Coração Gelado curam câncer. Mas Coração Gelado jamais chorou. |
O que diferencia esta obra de todas as demais que abordam o Holocausto é a forma de sua narrativa. Apesar de inteiramente na 3ª pessoa, tudo é descrito do ponto de vista de Bruno, uma criança de 9 anos que mal faz ideia da política e situação caótica que o rodeava, naquela Europa caótica de 1943. O que inicialmente seriam erros de gramática, como várias orações sem nenhuma vírgula entre si, a constante repetição de frases e uma ótica ingênua, que poderiam passar como erros de um escritor amador, revelam-se como a visão de um garoto inocente, tentando entender tudo aquilo.
O livro possui uma adaptação pela Miramax, que não segue fielmente todos os eventos, e inclusive altera o modo de alguns personagens. A mãe de Bruno, por exemplo, é uma mulher totalmente diferente nas duas obras.
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| Nada diz "épico" como uma imensa cerca |
Porém, deve-se ressaltar que esta é uma obra de FICÇÃO, não refletindo totalmente a realidade. É bem improvável que crianças ainda existiam em Auschwitz ("Haja-Vista", na pronúncia do menino) naquela altura da guerra, uma vez que não eram aptas a trabalhar. O filho de um importante comandante que não sabe o que Hitler, o Führer ("Fúria"), significava também é bem improvável, ou mesmo que não saiba o que um judeu é.
No mais, é uma excelente obra, que merece ser lida. Pena que acaba rápido demais.
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| Damn you, too soon ending! |



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